O QUE É A GLOBALIZAÇÃO

Globalização é o conjunto de transformações políticas e econômicas mundiais que vem acontecendo nas últimas décadas. O ponto central da mudança é a integração dos mercados numa “aldeia global”, explorada pelas grandes corporações internacionais. Os estados abandonam gradativamente as barreiras tarifárias para proteger sua produção da concorrência dos produtos estrangeiros e abrem-se ao comércio e ao capital internacional.

Esse processo tem sido acompanhado de uma intensa revolução nas tecnologias de informações (telefones, computadores e televisão).

As fontes de informações também se uniformizam devido ao alcance mundial  e a crescente popularização dos canais de televisão por assinatura e da internet. Isso faz com que os desdobramentos da globalização ultrapassem os limites da economia e comecem a provocar uma certa homogeneização cultural entre os paises.

 

A GLOBALIZAÇÃO: A MUNDIALIZAÇÃO DO CAPITALISMO

 

Fatos históricos marcantes aconteceram rapidamente entre as décadas de 80 e 90. Até mesmo os analistas e cientistas políticos internacionais se surpreenderam com estes fatos. São eles:

. A queda do muro de Berlim em 1989;

. O fim da guerra fria;

. O fim do socialismo real;

. A desintegração da União Soviética, em dezembro de 1991, e seu desdobramento em novos estados soberanos (Ucrânia, Rússia, Lituânia, etc...);

. A explosão  das nacionalidades em vários lugares, acompanhadas da guerra civil: antiga Iugoslávia, Geórgia, Chechênia, etc...;

. O fim da política do apartheid e a eleição de Nelson Mandela para presidente, na África do Sul;

. O acordo de paz entre Israel, OLP (Organização para Libertação da Palestina) e Jordânia;

. A  formação de blocos econômicos regionais (União Européia, Nafta, Mercosul, etc...);

. O grande crescimento econômico de alguns paises asiáticos (Japão, China, Taiwan, Hong Kong e Cingapura), levando a crer que constituirão a região mais rica do Século XXI;

.  O fortalecimento do capitalismo em sua forma, ou seja, o neoliberalismo;

. O grande desenvolvimento cientifico e tecnológico.

Até praticamente 1989, ano da queda do muro de Berlim, o mundo vivia no clima da Guerra Fria. De um lado, havia o bloco de paises capitalistas, comandados pelo Estados Unidos, de outro, o de paises socialistas, liderados pela ex-União Soviética, configurando uma ordem mundial bipolar ou um sistema  de polaridades definidas.

De  um sistema de polaridades definidas passou-se, então, para um sistema de polaridades indefinidas ou para a multipolarização econômica do mundo. O confronto ideológico (capitalismo versus  socialismo real) passou-se para a disputa econômica entre paises e blocos de paises.

A globalização não é um acontecimento recente. Ela se iniciou já nos séculos  XV e XVI, com a expansão marítima-comercial européia, conseqüentemente a do próprio capitalismo e continuou nos séculos seguintes. O que diferencia aquela globalização ou mundialização da atual é a velocidade e a abrangência de seu processo, muito maior hoje.

Mas o que chama a atenção na atual é sobretudo o fato de generalizar-se em vista da falência do socialismo real. De repente, o mundo tornou-se capitalista e globalizado.

As características da globalização podem ser assim resumidas:

. Internacionalização da produção;

. Internacionalização ou globalização das finanças;

. Alteração na divisão internacional do trabalho, ou, antes, criação de uma nova divisão de trabalho dentro das próprias empresas transnacionais, e que a distribuição das funções produtivas não se encontrava mais  concentrada em um único país, mas sim espalhadas por vários paises e continentes (por exemplo, um país fabrica um componente do produto,  um segundo fabrica outro, um terceiro faz a montagem e o centro financeiro e contábil da empresa fica em um quarto país);

. O  grande movimento migratório do hemisfério sul para o norte;

. A  questão ambiental e a sua importância nas discussões internacionais;

. O estado passa de protetor das economias e provedor do bem estar social, a adaptar-sed à economia mundial ou às transformações do mundo que ela própria  e a exaltação do livre mercado provocam;

Nesse quadro de globalização, hoje, as empresas transnacionais:

. Atuam em vários paises;

. Compram a melhor matéria-prima a menor preço em qualquer lugar do mundo;

. Instalam-se onde os governos oferecem mais vantagens (terrenos, infra-estrutura, isenção ou redução de impostos, etc...) e a mão de obra é mais barata;

. Fazem uma intensa publicidade, convencendo-nos da necessidade de adquiri-los criando necessidades humanas inimagináveis, num mundo onde não foram resolvidas questões básicas de sobrevivência de centenas, milhões ou até mesmo bilhões de seres humanos (fome, emprego,  moradia, educação, saúde, etc...);

. Têm um faturamento gigantesco,  que chega a ser superior a soma do PIB de vários paises;

 De um dia para o outro bilhões de dólares especulativo foram transferidos de suas bolsas de valores para outras praças. A crise financeira resultante teve as conseqüências típicas desse  quadro: recessão,  aumento do desemprego e falências das empresas.

Estamos vivendo portanto, um momento ímpar na história da humanidade. A globalização da economia exige das empresas nacionais um esforço para se adaptarem  à nova realidade mundial, com métodos cada vez mais apurados de administração empresarial, controle eficaz do capital financeiro, novas tecnologias, baixos custos de produção, mão de obra altamente  qualificada, etc..., requisitos que nem sempre são capazes de possuir.

No mundo globalizado, a competição e a competitividade entre as empresas tornaram-se questões de sobrevivência. Entretanto, com o poder das empresas (quanto ao domínio das tecnologias, de capital financeiro, de mercados, de distribuição, etc...) é desigual, surgem relações desiguais entre elas e o mercado. Algumas sairão vitoriosas e outras sucumbirão. Muitos setores da atividade econonômica já tem “dono” e dificilmente permitirão a entrada de novos produtores. A globalização da economia e das finanças beneficia, assim, amplamente o grande capital, as grandes corporações transnacionais.

 Inserido nessa nova conjuntura, nessa nova ordem econômica, o Brasil fez a abertura econômica para o exterior, tem aplicado a política de privatizações e empenha-se em desregulamentar sua economia, oferecendo vantagens as transnacionais para que aqui se instalem. Em alguns segmentos da economia, como as indústrias farmacêuticas, da borracha, do fumo e a automobilística, existe um domínio absoluto das transnacionais.

Cerca de 44% do total das exportações de manufaturados brasileiros são das transnacionais. Somos uma das economias mais internacionalizadas do mundo e caminhamos a largos passos para que esta característica se acentue, em vista do processo da globalização que estamos vivendo.

O desafio que esse quadro nos impõe é o de definir uma política de controle das ações dessas corporações e dos capitais de curto prazo, principalmente daqueles que possuem enorme poder econômico e político, e centro de decisão sediados no exterior.

 

Marcos Guilherme Perdomo de Castro

Lowton da Loja Retidão e Prudência.