EDITORIAL

LOWTON E A CONSOLIDAÇÃO DA MAÇONARIA

 

Ir.'. Aparecido Antônio de Oliveira - M .´. I .´.                 

 

Sem pretensão de ser o dono da verdade, gostaria de expor como vejo a Maçonaria.

Quando somos iniciados na Sublime Ordem, mesmo que a pessoa que nos convidou, tenha nos antecipado algo a respeito dela, a verdade é que não temos a menor noção dos seus objetivos e de sua organização. Mesmo depois de iniciados, se não formos estudiosos e pesquisadores, continuaremos não a entendendo. A título de ilustração, basta dizer que praticamente toda cidade tem uma Loja Maçônica. E são inúmeras as que tem mais de uma. Inegável, portanto, a organização da Ordem. Entretanto, essa organização nem sempre é aproveitada. Basta pegarmos como exemplo o Palácio ou mesmo um Templo onde se reúnem várias Lojas. Dificilmente é feito um trabalho, uma campanha, um tempo de estudos ou qualquer outra atividade em conjunto. E assim é, praticamente em todo lugar. A dispersão é, deste modo, uma forte concorrente aos nossos trabalhos. Se voltarmos a atenção para dentro das Lojas, constataremos que a situação não é diferente. Todo Ven.'. e Ex-Ven.'. pode atestar quão difícil é conseguir com que os cargos da Loja sejam administrados com desenvoltura. Da mesma forma se o Ven.'. não é um estudioso, pesquisador e conciliador, acaba contribuindo para uma desmotivação dos IIr.'. e, consequentemente um esvaziamento da Loja. Muitos IIr.'. acabam abandonando a Loja, a Ordem e outros fundam novas Lojas, pensando que os problemas não se repetirão. A curto prazo descobrirão que as mesmas situações se renovam porque, para onde forem, levam consigo a desmotivação e os problemas. Logo, o que deve ser mudada é a situação e não os IIr.'. de uma para outra Loja.

Certo de que a Maçonaria deve ter um papel relevante junto a sociedade, podemos perfeitamente renová-la ao longo do tempo. Assim desencadeamos este projeto junto aos Lowtons, mostrando que é perfeitamente viável fazer-se alguma coisa em prol dos jovens, da própria Maçonaria e, a longo prazo, do país. Este projeto na verdade nasceu de uma descoberta curiosa que nós fizemos quando éramos Ven.'. da ARLS Retidão e Prudência, na segunda gestão. Insistentemente cobrado pelos IIr.'. da Loja para adotarmos Lowtons, começamos a visitar nossas Lojas co-irmãs para conhecermos um pouco do que se fazia após adotá-los. A descoberta foi terrível. Contatamos que , mais uma vez, com raríssimas exceções, pouco ou nenhuma atenção é dada a esse segmento da Maçonaria. E é enorme o número de Lojas que adotam Lowtons e depois não sabem o que fazer com eles, que por sua vez acabam se desiludindo com seus pais, padrinhos e mesmo com a Maçonaria de uma forma geral. Há pais e padrinhos que chegam a ficar constrangidos e sem explicações para seus filhos e apadrinhados. Foi aí que vislumbramos a possibilidade de, em conjunto com outras Lojas, iniciarmos um trabalho com os Lowtons.

Das nossas andanças obtivemos um "Ritual de Instrução de Lowtons" da lavra do nosso Ir.'. Hervê Cordovil. De posse desse ritual, nós o submetemos a apreciação do Ir.´. Sergio Cirilo Valentini, comentando com ele a nossa intenção de desenvolver um trabalho com os Lowtons. O Ir.´. Sergio entregou o Ritual ao Ir.´. Frank Stephen Davis que elaborou então um Ritual completo, que depois alteramos o nome para Manual, por ser Ritual reserva de mercado do Supremo Conselho.

Outro trabalho que veio somar nesta empreitada foi o do nosso Ir.'. Reginaldo Cipolatti  ( ARLS Adonai 1377 ), "Os Doze Graus de Instrução de Lowtons" . Nós e nossa Loja fomos buscar apoio em outras Lojas. A primeira a se incorporar foi a ARLS Umuarama, do Oriente de Osasco, que cedeu seu Templo para nossas reuniões. Entusiasmados com a idéia, convidamos as Lojas da Capital para a nossa primeira sessão, que aconteceu num Sábado do mês de Maio de 1995. Para nossa alegria se fizeram representar as Lojas Rangel Pestana e Theobaldo Varolli Filho. Esta última ofereceu seu Templo para as próximas reuniões.

Estava dado o " start " do nosso projeto. Paralelamente, os IIr.'. da ARLS Rangel Pestana, propuseram e foi aprovada em Loja, que fosse cedido seu Templo em caracter definitivo, para se realizar as reuniões de Instrução de Lowtons em São Paulo. Passamos, desde então a ter um endereço e um local para as nossas reuniões (Rua Santa Rita, nº 104 - Pari).

Interessante foi que percebemos, após algumas reuniões, que o projeto poderia ser ampliado. Além das instruções poderíamos transmitir aos jovens, noções de cidadania. Nasceu então o "Projeto  Lowton Cidadão " , visando transmitir-lhes conhecimentos filosóficos-maçônicos, seus direitos e obrigações perante a sociedade, tornando-os, num futuro bem próximo, pessoas capazes de exercer, em sua plenitude, a cidadania.

Ousamos mais, ao fundar de fato e vamos com a bênção do G.'.A.'.D.'.U.'., regularizá-la de direito, a Loja Capitular de Lowtons " Guilherme Brassoloto " em homenagem a esse nosso Ir.'., hoje no Oriente Eterno, que pertenceu ao quadro da Loja Rangel Pestana e esteve sempre voltado aos jovens. Estamos convencidos de que, se conseguirmos levar esse projeto avante pelos próximos dez ou quinze anos, teremos condições de iniciar esses jovens nos sublimes mistérios da Maçonaria, em condições muito mais favoráveis do que fazemos hoje com os adultos, pois desde a tenra idade eles aprenderam a Filosofia Maçônica, o respeito recíproco e como se conduzir perante as leis do país, exercitando plenamente os seus direitos. Conhecendo melhor a Ordem, não permitirão que os fatos desmotivadores e os problemas corriqueiros que hoje vivenciamos, tomem conta das Lojas a que pertencerem. É utópico o projeto ? Entendemos que não. Se nos unirmos, Maçons e Lojas, investirmos nestes jovens, arregaçando as mangas sem esmorecer, teremos no futuro uma Maçonaria consolidada, forte e dinâmica e em condições de marcar posição perante a sociedade como em tempos passados.

Objetivos não faltam, é só querermos trabalhar. Esta, a meu ver, é a grande jornada que nos espera e não poderemos nos furtar de realizá-la, pois somos homens livres e de bons costumes e, como tal, é nossa a obrigação de construir uma sociedade onde prevaleça a Igualdade, a Liberdade e a Fraternidade. Caso contrário, teremos passado por este mundo e pela Ordem sem nada contribuirmos.

Que o G.'.A.'.D.'.U.'. nos abençoe e proteja

Aparecido Antônio de Oliveira