Toda a religião, toda a moral se acham encerradas nestes dois preceitos. Se fossem observados nesse mundo, todos seriamos felizes: não mais haveriam ódios, nem ressentimentos. Não haveria mais pobreza, porquanto, do supérfluo da mesa de cada um de nós, muitos pobres se alimentariam e não mais haveria, nos quarteirões sombrios de toda a parte do mundo, onde mães miseráveis carregam consigo pobres crianças sem ter o que comer, sem uma roupa decente para vestir, enquanto abrimos nossos guarda-roupas e vemos várias peças de roupas inúteis. Lowtons! Pensemos nisto um pouco. Auxiliemos os infelizes, o melhor que pudermos. Daí, para que Deus, um dia, nos retribua o bem que houvermos feito. Amai, portanto, o vosso próximo; amai-o como a vós mesmos, pois já sabeis, agora, que ao repelir um mendigo, estará afastando um irmão. Compreendamos bem o que seja a caridade moral, que todos podemos praticar, que nada custa, materialmente falando, porém, que é a mais difícil de praticar. A caridade moral, consiste em suportarmos uns aos outros, o que é que menos fazemos neste mundo inferior. Grande mérito há em um homem que sabe calar-se, deixando que outro mais tolo que ele fale. É um gênero de caridade isso. Saber ser surdo quando uma palavra zombeteira se escapa de uma boca acostumada a escarnecer; não ver o sorriso de desdém que muitas vezes vos recebem pessoas, que erradamente, se supõem acima de vós. Não dar atenção, porquanto, ao mau proceder de outrem é caridade moral. Essa caridade, no entanto, não deve obstar a outra. Lembrai-vos de que disse Jesus, que somos todos irmãos, e pensemos sempre nisso antes de repelir um mendigo ou um aleijão. Pensai nos que sofrem e orai.
Helcius Klain
Oficina de Lowtons Gonçalves Ledo N.o 16
Bonito - MS